A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), em parceria com o Departamento de Segurança Energética e Net Zero do Reino Unido (DESNZ), realizou em maio uma missão técnica a importantes clusters industriais em território britânico.
Clusters industriais são concentrações de empresas, fornecedores, infraestrutura, serviços e instituições que atuam de forma integrada em uma mesma cadeia produtiva ou setor industrial.
A delegação reuniu representantes e especialistas dos portos de Açu (RJ), Suape (PE) e Pecém (CE), grandes portos estratégicos brasileiros. Também incluiu representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), do Ministério da Fazenda (MF) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A visita foi uma das atividades da Iniciativa de Clusters Brasil-Reino Unido, uma das principais entregas do Programa de Hubs Brasil-Reino Unido. Lançado na COP28, o Programa inclui o Hub de Hidrogênio (H2 Hub) e o Hub de Descarbonização da Indústria (ID Hub). A iniciativa é resultado da cooperação técnica entre DESNZ, MME e MDIC, e tem seu secretariado feito pela UNIDO.
O objetivo da cooperação entre os dois países é mobilizar uma oferta internacional de assistência setorial, reunindo um pacote de apoio técnico e financeiro alinhado às transições setoriais prioritárias do Brasil. A iniciativa atua para descarbonizar clusters portuário-industriais estratégicos no Brasil e facilitar o compartilhamento de conhecimento, a cooperação técnica e o planejamento estratégico de longo prazo.
Para o Representante da UNIDO no Brasil, Clóvis Zapata, a missão técnica ao Reino Unido reforçou o papel da cooperação internacional no apoio às prioridades brasileiras: “O intercâmbio com clusters britânicos oferece referências importantes para apoiar soluções adaptadas aos portos, à indústria e ao contexto de desenvolvimento do Brasil.”
A Oficial Nacional de Hidrogênio da UNIDO, Patricia Naccache, ressaltou a importância de transformar cooperação técnica em projetos capazes de atrair investimento: “A transição para uma indústria de baixo carbono exige projetos bem estruturados, com base técnica sólida, parcerias estratégicas e condições reais de financiamento.”
A missão teve como objetivo proporcionar a lideranças portuárias brasileiras e representantes do governo contato direto com os modelos operacionais de clusters do Reino Unido, seus sistemas de governança e práticas concretas de descarbonização.
Os workshops e as visitas técnicas realizadas abordaram temas como planejamento de infraestrutura compartilhada; integração de hidrogênio; captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS); e setores com sinergia, como o de indústrias convencionais de difícil abatimento e o de geração de energias limpas.
A Secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cortez da Cunha Cruz, destacou a agenda como parte da estratégia brasileira de desenvolvimento produtivo sustentável: “A descarbonização industrial é uma oportunidade para modernizar a base produtiva, atrair investimentos e ampliar a competitividade da indústria brasileira.”
O Gerente de Energia e Descarbonização do Governo do Reino Unido no Brasil, Valmir Dias, detalhou a profundidade da parceria: “Explorar os desafios e oportunidades de ambos os países é o primeiro passo para desenvolvermos um processo conjunto de longo prazo focado na colaboração entre portos”.
A delegação visitou dois dos principais clusters britânicos de descarbonização: HyNet Northwest e Humber. No HyNet, as discussões se concentraram na ampliação da produção de hidrogênio de baixo carbono, na implementação de CCUS entre usuários industriais, no desenvolvimento de infraestrutura portuária e em marcos regulatórios e financeiros habilitadores. No Humber, a ênfase recaiu sobre modelos de governança, capacitação, descarbonização de operações existentes e garantia de impacto social positivo dos projetos de descarbonização.
O CEO do Complexo do Pecém, Maximiliano Quintino, ressaltou que os desafios da descarbonização industrial não serão superados de forma isolada: “Eventos como este demonstram que a transição energética é construída por meio da cooperação entre governos, organizações internacionais, empresas e infraestruturas estratégicas capazes de transformar compromissos em resultados concretos. A descarbonização deixou de ser apenas uma questão ambiental; tornou-se uma agenda de desenvolvimento econômico, competitividade e posicionamento global.”
Ao avaliar a missão, o Diretor de Sustentabilidade e Inovação do Porto de Suape, Sóstenes Alcoforado, contou que a Iniciativa de Clusters Brasil-Reino Unido proporcionou uma compreensão concreta de como projetos de descarbonização industrial são estruturados em escala. “A experiência também evidenciou a forte integração entre o setor privado, políticas públicas, capacitação técnica e mecanismos de financiamento voltados à aceleração de grandes projetos estratégicos de transição energética”, disse Alcoforado.
O Diretor de Relações Institucionais e ESG do Porto do Açu, Eduardo Kantz, apontou as oportunidades de cooperação presentes no setor: “O Brasil tem uma oportunidade única de trilhar o caminho da descarbonização, com uma matriz elétrica renovável e uma indústria de biocombustíveis bem estabelecida. Portos brasileiros como o Açu aproveitam e aplicam cada intercâmbio de conhecimento para se tornarem hubs globalmente competitivos no futuro da transição energética.”
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- Raphael Makarenko (UNIDO Brasil): r.makarenko@unido.org
Fonte: brasil.un.org
